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quarta-feira, 22 de maio de 2013

UBUNTU




UBUNTU (ditado sul africano*)

Ubuntu significa: “Sou quem sou, por quem somos todos nós”
Ubuntu é uma antiga palavra Africana, cujo significado é: "Humanidade para todos".
Ubuntu também quer dizer "Eu sou o que sou devido ao que todos nós somos".

Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo e então ele propôs uma brincadeira para as crianças:

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, inseriu tudo em um cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!" instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto.

Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comeram felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas foram todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

- "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"


quinta-feira, 16 de maio de 2013

MPUNGO NDONGO





As pedras altas e negras mais famosas da África e do mundo se localizam em Angola, no município do Kacuso, na província do Malanje. Essas gigantescas e magnificas pedras de megalíticos ficam a 100 quilômetros de Malanje e situa entre o Lukala e o Kwanza, a oeste de M’baka.  

As pedras negras chegam a atingir mais de cem metros de altura e chegam a lembrar das paisagens extraterrestres. A cor dessas gigantescas e históricas rochas é preta, apesar de conter a cor vermelha e outras.   

Essas rochas impõem respeito e admiração, principalmente a imponência e o silencio.

Mpungu Ndongo foi palco e testemunha da Fortaleza Natural da Rainha Nzinga Mbadi, que unificou todo o seu povo do Reino Ndongo, combatendo contra os colonizadores.  

Conforme Carlos Duarte (2008), na atualidade são poucas as pessoas da região que se aventura próximo o Mpungu Ndongo. Pois sendo um local de desaparecimentos de muita gente, passou a ser considerado um local proibido aos aventureiros, por se tratar de um importante lugar, mais não um lugar qualquer, e sim um Santuário Natural.

É da crença para os povos dessa região, que o lugar é habitado pelos espíritos dos antigos guerreiros que viviam ali na época da colonização, local liderado por Nzinga Mbadi. Dai vem o tabu de se aventurarem nessas regiões sem um guia local, pois a crença é visível aos olhos desse povo que, se os espíritos guardião de guerreiros que ali vivem estiverem irritados com a invasão indesejada de algum aventureiro e seja ele quem for, fazem os perderem em caminhos totalmente diferentes aos de inicio, até que venham a morrer.  

De acordo com os mistérios mitológicos do mundo Bantu, segundo Carlos Duarte, é possível visualiza do alto de uma determinada rocha a marca de um pé enorme em baixo relevo, constatando entre o povo dessa região a lenda que a marca desse pé pertence a Nzinga Mbadi, era ali o ponto principal que ela ficava a observar a aproximação das tropas invasoras.  


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi!

terça-feira, 14 de maio de 2013

A LAGOA DO FEITIÇO




Muitos mitos à volta desta lagoa. É a célebre Lagoa do Feitiço, referência obrigatória em qualquer viagem ao Uíge.
Dizem ....-e acredite se quiser - que tocar nas águas desta lagoa é desafiar a morte. Verdade ou mentira, o certo é que ninguém se atreve. Todos preferem manter-se afastados dessas águas. À cautela... porque nunca se sabe.
São os mitos que tornam o Uíge muito especial. Remmember A SAÚDE DO MORTO de um tal de LF

http://luisfernandoangola.blogspot.com/2008/06/lagoa-do-feitio.html

Lagoa do Feitiço no Uíge

Ainda no leste de Angola, entre os Tucôkwe da comunidade rural, a tradição proíbe as crianças e adolescentes de ir muito cedo (às manhãs) ou muito tarde ao rio (lwiji) e à lagoa (citende, lê-se tchitende), sobretudo se estiver a nevar. A razão dessa proibição é que “Samutambyeka”, uma figura mitológica monstruosa, mais alta do que os eucaliptos, temível pela população, bebe muita água nesses períodos e evita a presença de pessoas antes de ficar saciado. Enquanto bebe, sopra a partir da boca e das narinas um jacto de água que se transforma em nevoeiro.

O arco-íris (Cezangombe, lê-se tchezangombe) que normalmente aparece às tardes e quando está a chover, é utilizado para fazer entender às crianças e aos adolescentes a presença, nessa altura, do também chamado “Espírito perdido”, perto dos rios e lagoas.

“Samutambyeka” é coadjuvado por forças invisíveis conhecidas nessa comunidade como “yikixikixi” ou “espírito das águas”.
Do semanário O País, edição de 26/junho/2009
Mitologia da água, de Américo Kwononoka,
Diretor do Museu Nacionalde Antropologia.

http://seguindoadiante.blogspot.com/2009_06_28_archive.html

NKISI KISANGA




Kisanga é uma Divindade aquática, das aguas doce, é auxiliar de Nvunji, se manifesta imediatamente após o nascimento das crianças, mas não se caracteriza por nenhuma particularidade.

Kisanga tem como significado; Pequena ilha do Rio Kwanza.

Kisanga também é uma baia estreita, um lago que comunica com Kalunga diretamente sem a necessidade de uma Divindade intermediaria. Também é uma Divindade ligada a pesca e a caça aquática. Por ser um Nkisi atuante na pequena ilha do Rio Kwanza é o seu auxiliar e tem ligação com Kisimbi, Kaiala e Ndanda.   


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A CAÇA ENTRE OS CABINDAS



A caça entre os Cabinda é executada através de armadilhas. A utilização das flechas caiu em desuso. Com a chegada dos colonizadores nas terras Bantu, varias espingardas foram adquiridas pelos naturais das terras, deixando-se assim muitas armadilhas e armas caírem em desuso.  As espingardas passou ser chamada conforme a antiga arma de caça do caçador.

As espingardas são utilizadas com mais frequência na caça de passarinhos, que os Cabinda vendiam aos colonizadores. Os Cabinda caçam de tudo, caçam pássaros, ratos selvagens, macacos e leopardos quando cai nas armadilhas, e etc. As estratégias de caça e as armadilhas vão conforme o porte da caça. Para os ratos selvagens, coelhos e outros desse porte utilizam armadilhas parecidas com as ratoeiras, e para as caças de porte grande, de natureza perigosa, lobos, leopardos ou leões, utilizam gaiolas de madeira ou animais menores que já se encontra agonizando como iscas.

Geralmente essas iscas é um cabrito fincado em uma estaca, que atrai outros animais por conta do seu berro que ecoa longe. Conforme a posição do cabrito na estaca, os caçadores preparam uma armadilha com a espingarda pronto a ser disparada com o abocanhar das feras ou lobos, acertando em cheio dentro da boca, e quando não acerta a boca, mas o animal foi ferido, correm em sua direção para terminar de mata-lo com a faca.

Os caçadores podem sair pra caçar com os cães ou sem eles. Quando a temporada de caça se faz com a presença dos cães, eles amarram no pescoço deles uma espécie de chocalho, que serve para os caçadores saberem onde estão quando estiverem ocultos pelos arbustos e outras folhagem, prevenindo-os de acertarem e saberem aonde a caça esta indo.

O chocalho também tem a finalidade de dispersar a caça, principalmente pelo latido dos cães que fazem um cerco na caça, enquanto os caçadores se encontram em silencio pra acertarem as presa cercado por seus fieis cães de caça.

Os cães quando sai pra caça encontram-se magros, cheio de fome, e isso proporciona melhor farejar os animais.

A caça entre os Cabinda tem apenas duas finalidades; ou ela é para buscar o alimento para aldeia ou para livrar a aldeia do perigo dos lobos, hienas ou leopardos.  


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi!

sábado, 11 de maio de 2013

JUBIABÁ




                                        SR. SEVERIANO MANOEL DE ABREU (JUBIABÁ) 
                                                         - 20/04/1886 a 28/10/1937 -


Fonte da minha pesquisa sobre foto: Mestrado do Anselmo José
Fonte da foto no mestrado do Anselmo José: Acervo do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia

CANDOMBLÉ DE CABOCLO



  
A origem dos Candomblés de Caboclos está no ritual de antigos negros de origem banto, que na África distante cultuavam os Nkisi - e que no Brasil viram-se forçados a encontrar um outro antepassado para substituir o Nkisi que não os acompanhou à nova terra. Neste novo e distante país, que antepassado cultuar senão o índio, o caboclo, como dizia os antigos nordestinos? Os antigos habitantes quem senão o verdadeiro e original "dono da terra"? (Santos, 1995).

O Candomblé de Caboclo se deu inicio entre os negros Bantu, sendo os espíritos indígenas paralelamente cultuados as divindades africanas (Nkisi e Hamba), sem misturar os Caboclos com Nkisi ou Hamba. Os negros tiveram a preocupação de cultuar os ancestrais desta terra, passando a cultuar paralelo ao culto que prestavam aos seus Minkisi e Mahamba.

Os caboclos, espíritos dos antigos índios que povoaram o território brasileiro, os antigos caboclos, eleitos pelos povos Bantu que aqui viveram anteriormente a chegada dos negros nagôs, como os verdadeiros ancestrais em terras nativas. São espíritos, não Deuses.

Ao Caboclo Índio são designados com “Caboclo de pena", por causa da referência aos penachos e cocares que usam quando em transe para marcar sua origem indígena, e também existem os Caboclos de outras procedências, que são os Caboclos de couro (Boiadeiros), que teriam um dia vivido no sertão na lida do gado e que usam o chapéu característico de sua antiga ocupação.

O Candomblé Ketu não cultuava Caboclo, o que existe hoje é nessas casas de Ketu é modernidade, pois Caboclo sempre foi cultuados pelos angoleiros, por serem cultuados pelos povos Bantu ao chegarem nestas terras.

No livro Negros Bantos, Edison Carneiro relatou muitas cantigas e cerimônias assistidas no Terreiro da Goméia de João da Pedra Preta a quem, menciona em primeiro lugar nas listas do Pais de Santo consultados (Carneiro, 1937, p. 10). Outro escritor também menciona em Negroes in Brazil, os mais conhecidos Terreiros de nação Congo-Angola de Salvador, menciona o Terreiro da Goméia ao lado de terreiros prestigiados como o Bate-Folha, ate mesmo o Terreiro de Jubiabá (Pierson, 1967, p. 278)...(Vagner Gonçalves da Silva, p.156).

Tenho noticias de um mais velho descendente e pesquisador da Ndanji Goméia que a origem da Goméia é Candomblé Angola Caboclo por parte do Tatetu Severino Manoel de Abreu – Jubiabá, Pai de Santo de Joãozinho da Goméia. Com a origem do Candomblé de Caboclo que se originou pelos povos Bantu, faz desta Ndanji um importante Candomblé Angola, por conta dos princípios bantu, na precisão da elaboração de cultuar os ancestrais indígenas destas terras.

Joãozinho da Goméia foi um dos principais colaboradores de Edison Carneiro, que, em Negros Bantos, realizou uma etnografia sobre os Candomblés de ritos Angola e de Caboclos. Uma carta enviada Artur Ramos, o editor de Negros Bantos, Edison Carneiro se revelou bastante entusiasmado com o Candomblé da Goméia, ele diz:

Não se espante, por isso mesmo, com outros artigos sobre negros que vou cometer daqui por diante. Por exemplo, nos Negros Bantos pretendo dedicar capítulos aos candomblés de caboclo e as sessões de caboclo. Arranjei um ótimo campo de observação – o candomblé da Goméia (Angola). Já tenho observações notáveis que vão espantar o povo (Oliveira e Lima, 1987, p.109)...(Vagner Gonçalves da Silva, p. 156).

Sobre as polemicas contra Joãozinho da Goméia de cultuar caboclo no seu candomblé, observamos que Edison Carneiro sabia o que estava falando na carta enviada a Artur Ramos, por conta das criticas que as Sacerdotisas direcionavam ao Joãozinho da Goméia cultuar caboclo em seu candomblé, pois dentro das casas tradicionais da Bahia de nação ketu não cultuavam caboclos, não preocuparam em cultuar os ancestrais destas terras, preocupando somente com os Orixás deles no Candomblé.

Na esfera das religiões afro-brasileiras, a participação dos bantos foi fundamental, pois é da religiosidade desses povos ou sob sua influência decisiva que se formou no Brasil o Candomblé de Caboclo baiano e outras variantes regionais de culto ao antepassado indígena.

Da necessidade de cultuar o ancestral e do sentimento de que havia uma ancestralidade territorial própria do novo solo que habitavam, os bantos e seus descendentes criaram o candomblé de caboclo, que celebrava espíritos dos índios ancestrais (Santos, 1995; Prandi, Vallado e Souza, 2001).

Os Bantu estiveram no Brasil a muito mais tempo, mas existe indícios históricos que levam a crer que somente com a formação do Candomblé Angola e Congo de culto as divindades africanas (Nkisi e Hamba) teria surgido quando os Candomblés Ketu e Candomblé Djedje já estavam se organizando ou organizados.

Embora todos os negros e mestiços fossem considerados como iguais, na medida em que ocupavam na sociedade branca posição oficialmente subalterna e marginalizada, as identidades étnicas estavam preservadas nas irmandades religiosas católicas, que reuniam em igrejas e associações específicas os diferentes grupos africanos étnico-linguístico.

Pois quando nagôs e jejes reunidos nas irmandades católicas (Silveira, 2000) refizeram no Brasil suas religiões africanas de origem, os Bantu os acompanharam.

No campo religioso foi, portanto, dupla a contribuição banta originada na Bahia: o Candomblé de Caboclo e o Candomblé de Angola e Kongo, duas modalidades que se casariam num único complexo afro-índio-brasileiro, povoando, a partir da década de 1960, praticamente o Brasil todo de terreiros angola-congo-caboclo.

Na Salvador das décadas de 1920-30, o candomblé de caboclo, mais próximo de influências indígenas, contava com sacerdotes de grande prestígio: entre muitos outros, Pai Otávio Odé Taiocê, Sabina, Constância e sua irmã Silvana, que teria sido a primeira sacerdotisa do rito queto a incorporar o culto dos caboclos, uma proto-mãe da umbanda (Landes, 1967, cap. 17).

O Candomblé Ketu sempre disputava em popularidade com os Candomblés Bantu, conhecidos pelos nomes de Candomblé Angola ou Congo, os quais se espalham por todo o Brasil. Alguns destes Candomblés de raiz Bantu são: o candomblé do Bate-Folha, dos finados Pai Bernardino da Paixão e Mãe Samba Diamongo, o candomblé de Maria Neném, o candomblé de Ciriaco Tumba Junçara, o candomblé de Pai Manoel Natividade, do Caboclo Neive Branca e o candomblé da Goméia de Joãozinho da Goméia, importantíssimo divulgador da popularização do Candomblé no Rio de Janeiro, para onde se transferiu no ano 36, e que tem lugar significativo na memória dos candomblés paulistas.

Ruth Landes, antropóloga americana que, entre 1938 e 1939, guiada por Edison Carneiro, percorreu muitos Candomblés baianos, transcreve a seguinte explicação que lhe dera Sabina, mãe iniciada nos cultos caboclos por Silvana, com quem já estava rompida:

“Este templo é protegido por Jesus e Oxalá e pertence ao Bom Jesus da Lapa. É uma das casas dos espíritos caboclos, os antigos índios brasileiros, e não vem dos africanos iorubás ou do Congo. Os antigos índios da mata mandam os espíritos deles nos guiar, e alguns deles são espíritos de índios mortos há centenas de anos. Salvamos primeiro os deuses iorubás nas nossas festas porque não podemos deixá-los de lado; mas depois salvamos os caboclos porque foram os primeiros donos da terra em que vivemos. Foram os donos e portanto são agora os nossos guias. [...] Talvez eu deva ir ao Rio e instalar um candomblé?” (ibid.: 193).

Mãe Sabina jogava búzios, recebia às quartas-feiras o seu caboclo para dar consultas, fazia os despachos e ebós. As cantigas e preces em sua casa eram em português misturado com palavras que hoje ouvimos nos candomblés angola.

Os sacerdotes desses terreiros de nações diferentes viviam em constante troca de visitas e favores, apesar das disputas entre eles. A então jovem Menininha do Gantois, que era admiradora e amiga de Constância, mãe de candomblé de caboclo, comenta com Ruth Landes sobre Mãe Sabina: “A senhora a chama de mãe? Ela quer é ganhar a vida, e não ajudar os outros, e nunca foi treinada em candomblé algum. [...] E vive combatendo Constância, que é uma grande mãe, porque Constância a batizou na lei de caboclo. Constância e Silvana, essas sim, são grandes sacerdotisas” (ibid.: 213).

Preconceituosamente, o candomblé angola tem sido considerado um rito menor, e dele pouco se estudou (Trindade-Serra, 1978; Carneiro, 1937; Cossard-Binon, s.d.,).

O Candomblé Angola legitimou desde cedo o culto dos caboclos brasileiros, que além de se constituir como rito independente, foi também incorporado lá pelos anos 30 e 40 do século XX por casas nagôs que não as da tríade fundante, a Casa Branca, o Gantois, o Opô Afonjá (Landes, 1967).

Não se pode confundir Candomblé de Caboclo com a Umbanda, pois o Candomblé de Caboclo na época de sua formação cultuava as suas próprias Divindades - Nkisi e Mukixi, e os ancestrais desta terra. A Umbanda foi formada em 1908 onde adotou os Orixás, Caboclos, Pretos Velhos, Marujos, Baianos e Menino de Angola, todos estes espíritos.


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O KALUNDU NO BRASIL (Parte II)




Os calundus conectavam não só o mundo dos homens com o dos ancestrais e espíritos da natureza, como o Brasil com a África. A palavra é quimbundo, língua falada por povos da região de Angola, e remete a um sentido de doença proveniente da intervenção de um ancestral na vida de um descendente seu (Mariana de Mello e Souza).



O africano escravizado no Brasil veio de diversas etnias do continente africano, em grande massa. Chegou ao Brasil a um processo de quatro grandes ciclos, o século XVI, o século XVII, o século XVIII e o inicio do século XIX.

No decorrer do primeiro século no Brasil, ate o fim do ciclo desse tráfico que duraram quatro séculos, chegaram escravos de diversas regiões da África negra. Aqui pisaram principalmente príncipes, princesas, sacerdotes, sacerdotisas e negros já escravizados de diversas etnias, aqui se uniram em objetividade de uma única realização, a liberdade.

Os negros criaram o Brasil, do inicio do comercio ao fim do trafico escravo, sendo hoje, continuo a manutenção da tradição afro-bantu, afro-nagô, afro-daoméana e afro-brasileira; essa ultima aqui criada com a diversidade cultural dos indígenas e dos europeus, pelos descendentes de africanos. Construíram ruas, pontes e igrejas, levantou uma arquitetura portuguesa; isso pode ser visível atualmente no século XXI nas cidades históricas.

Organizaram no Brasil, ou seja, transformaram o Brasil em uma cultura afro-brasileira. Essa organização se originou principalmente de um processo de trocas culturais entre os mais diversos e diferentes grupos éticos do continente africanos.  Muitos dos negros que eram inimigos em suas terras natais se viram em necessidade de unir força, esquecer as diferenças e brigarem em um único lado, o próprio, contra a escravidão e maus tratos dos colonizadores no Brasil.
Dessas uniões entre os africanos, precisamente os primeiros negros bantu, escravizados nesta terra junto a outros povos, estes os próprios habitantes desta terra (que os portugueses apelidaram como índios), nasceram entre os negros, mesmo sendo impossível de prolongar-se, a persistência do desejo de viver.  

Os portugueses ao desembarcarem no atual Brasil, perceberam que os nativos, descendentes dos primeiros habitantes a mais de 1.500 anos atrás, que aparentavam com os indianos por conta da sua cor de pele, cabelos e seus olhos puxados, os apelidaram de índios.

A história persiste viva no subconsciente das comunidades afro-brasileira, como se tivesse a sua presença meio turva, obstruindo a visão dos indivíduos de quebrarem as algemas do pré-conceito implantado pela colonização.

Muitos brasileiros no “novo mundo acidentado” crer em uma historia deturpada com relação às coerentes historias resgatada pela ciência arqueológica, antropológica e histórica.   

A verdadeira historia pode ser encontrada nos arquivos coloniais, de processos de crimes, de inventários, de registros paroquiais de batismo e casamento, entre muitos outros arquivos como; correspondências oficiais, poesias, narrativas de viagens, relatos dos missionários e administradores como outras, que  pode ser estudadas para compreender que a historia tem outra versão, uma versão coerente.   

Segundo Mariana de Mello e Souza, por meio dos registros feitos pelo tribunal da Inquisição, é possível, como foi possível por vários antropólogos, saber que no século XVIII eram feitos Calundu em torno de altares e lideres religiosos, que se utilizava de tambores, músicas, objetos variados e gestos cheios de significados ritualísticos. Mas de acordo com os estudos das pesquisas mais a fundo, do Antropólogo Luiz Mott, a presença do Calundu é datada desde o ano 1591.

O Calundu é a mais antiga pratica religiosa dos negros de origem Bantu, no Brasil. A data registrada pela Inquisição, e, revelada por Luiz Mott, em denuncia da pratica de feitiçaria de um negro, no Brasil, conhecido como Francisco Manicongo, nos revela que desde a chegada dos negros escravizados ao Brasil, se pratica suas tradições religiosas.

Segundo Luiz Mott, essa presença se deu de primeira descoberta, da atuação de um sacerdote “Quimbanda”, cuja escrita original na lingua Kimbundu é “Kimbanda”, na cidade de Salvador, Bahia. Esse Sacerdote é conhecido como Francisco Manicongo, cuja profissão religiosa como Kimbanda, é equivalente ao maior titulo de sacerdócio no Candomblé, conhecido como Tata ria Nkisi. 

Foi justamente no ano 1591, quando a primeira visita do Santo Oficia na Bahia, recebeu uma denuncia que o Francisco Manicongo, escravo de Antonio Pires, tinha fama de somitigo, e logo sendo pego com uma peça de pano cingido, da mesma forma como na terra do Kongo (Congo) são usadas por outros Kimbanda ou Nganga-ia-Kimbanda.  

Pelo nome do Kimbanda, “Francisco Manicongo”, podemos nitidamente saber de onde se origina, sendo a palavra “Manicongo” originaria do Reino do Kongo, muito utilizado como titulo de pessoas de grande importância, no Reino do Kongo, existente do século XIV ao XIX, com os governantes do Bakongo.

O termo “Manicongo”, de acordo com minha insistência nas pesquisas, me deparei com a seguinte explicação; Manicongo, cuja escrita correta é Mani Kongo, é uma corruptela da palavra “Mwene Kongo”, em Kikongo, cujo seu significado é “Senhor do Kongo”. O termo “wene” refere tanto ao reino quanto a cada uma das unidades territoriais que o integravam. Os senhores das wene eram chamados de “Mwene”, sendo que o Manicongo era o Mwene mais poderoso do reino, reconhecido como rei (ntinu) pelos portugueses, desde sua chegada em 1484.

O Manicongo residia na cidade, capital do reino, conhecida como Mbaza Kongo, de onde nomeava os governadores das províncias e recolhia os impostos apropriados.

Como explicito nos dois parágrafos acima sobre a origem e a importância da palavra “Manicongo”, podemos concluir convictos de coerência que essa palavra que compõe o nome de Francisco, retrata apenas a sua importância como Kimbanda, destacando principalmente a sua terra natal. Ou seja, um Kimbanda ou Nganga, ambos os Sacerdotes independentes do gênero, não ocupam postos de reis ou rainhas, apenas atua junto dos mesmos quando solicitados, em serviços de cura, proteção, até mesmo contra ataque aos inimigos. Mas, pra ter melhor convicção sobre o termo Manikongo e pra precaver as conclusões sobre a profissão do Kimbanda Francisco Manicongo, demos continuidade nas pesquisas.

Para melhor compreendermos sobre a palavra “MANICONGO”, fizemos uma longa pesquisa literária pra coerentemente validar a origem aqui exposta e tentar compreender a profissão do Francisco Manicongo.

De acordo com Patrício Batsikama (2010), a palavra MANICONGO não tem o mesmo significado que a palavra “REI” na Europa e introduzido no Reino do Kongo, como se pode encontra nos dicionários com o significado de: quem governa um reino. E, muito menos da mesma forma que os Missionários e Cronistas quando escreveram sobre o Reino do Kongo, classificando o Senhor de Mbanza Kongo como um REI-EUROPEU, ou seja, como CHEFE-DIVINO (2010: 106).

Patrício Batsikama (2010) nos informa que, os europeus fizeram a imagem do SENHOR DO KONGO com a imagem do REI-EUROPEU, baseando-se nas insígnias utilizadas pelo Mani Kongo, da pele de leopardo usado por eles, cujas cores brancas encontradas significam o direito a vida e a preta significa a morte, perante todo o seu reino, justificando assim, o Mani Kongo portador de um poder divino.

Ntinu e Ntotila são um termo que antecede o nome dos “Senhores de Mbanza Kongo”. Esses dois termos foram os únicos reservados aos Senhores de Mbanza Kongo. Mas os termos Mani e Mwene podem ser encontrados antecedendo o nome de aldeias, distrito, território ou província.

Seguindo esse mesmo autor, o termo REI e seus atributos significativos para os europeus, nada tem em comum próximo com o termo MANI, muito menos com NTOTILA, principalmente, nem tão pouco parecido com o significado dos termos NTINU ou MWENE.

“No pensamento dos Kongo, o Senhor de Mbânza-Kôngo é, antes de mais, um chefe, representante dos Ancestrais e eleito pelos Makôtas mais velhos. Portanto, perante o povo, ele tem estas responsabilidades” (Batsikama, 2010: 106, 107):

1)”MÂNI e NTÔTILA que indicam que este chefe é a pessoa indicada para resolver os problemas jurídicos, ou de outra natureza, dos cidadãos. Jan Van Wing escreve no seu livro Etudes Bakongo I que, até no século XIX, os Ambúndu vinham resolver os problemas jurídicas e/ou outras discussões em Mbãzi’a Nkânu, a capital do NTÔTIL’A KONGO;

2)MWÊNE que garante a economia. Kôngo foi um povo dependente dos produtos da sua terra. Cultivava o solo, incluindo as ovelhas” (Batsikama, 2010: 107).

Como se pode constar, a partícula MA de MANI ou NE de MWÊNE, ou mesmo o termo completo de MANI ou MWÊNE, que se encontra antecedendo os nomes de aldeia, distrito, território ou província, revela que o grau de autoridade do individuo antecede o seu local de atuação. Por exemplo: “Mani-Nsônso, Mwêne-Nsôyo, Mani-Mpânu, Muêne-Mbâmba, Mwêne-Nsûndi, Mani-Zômbo, etc. Porem, não implica que todos eles sejam Reis” (Batsikama, 2010: 107).

Segundo Patrício Batsikama,

“O grau de autoridade é também revelado no plano administrativo que ocupa a região. Por exemplo: Nsûndi é uma província, Mpûmbu um território dentro de Nsûndi, Mpângu uma aldeia dentro do território Mpûmbu. Ora, ao escrever, os Missionários e Cronistas – desconhecendo esses usos – qualificaram todos (que Mani Nsûndi, quer Mani Mpûmbu, quer Mani Mpângu, etc.), independentemente dos Reis de Nsûndi, Mpûmbu, de Mpângu, etc.” (2010: 107).

Com base nas pesquisas e centralização no termo MANICONGO, constatamos que mesmo que o Kimbanda Francisco Manicongo tenha sido batizado, ou sido apelidado com o nome de origem portuguesa, Francisco, o seu sobrenome revela a sua origem e função profissional. 

Mani tem o significado de chefe, cujo portador deste termo é a pessoa mais indicada para resolver os problemas jurídicos, ou de outra natureza, dos cidadãos do Kongo. Assim concluímos que Francisco Manicongo exercia a função de Kimbanda, resolvia os problemas espirituais, de saúde e se caso precisassem, os casos jurídicos, como a própria população Kongo classifica aqueles que carregam o termo MANI. O termo CONGO cuja grafia correta é KONGO, designa o seu local de origem, o Reino do Kongo.

Segundo Luiz Mott (2006: 13) no arquivo Nacional da Torre do Tombo de Lisboa, existe mais de quarenta mil processos da Inquisição Portuguesa, datado entre 1536 a 1821. Arquivos bem conservados entre outras preciosidades. Manuscritos que proporciona a reconstituição da etno-história luso-afro-brasileira.

Os arquivos, processos da Inquisição Portuguesa, são denuncias, sumários, confissões e processos relativos aos crimes do conhecimento do Santo Oficio, desvios da fé como; heresia, judaísmo, blasfêmia, pacto com o demônio, feitiçaria e desvios contra a moral como; sodomia, bigamia e solicitação para atos torpes feita pelo sacerdote no confessionário (Mott. 2006: 13).

De acordo com Luiz Mott, a presença de feiticeiros no Estado da Bahia, assim como em outros Estados do Brasil, como; Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, provavelmente em outros estados, como; Rio de Janeiro e Espírito Santo, foram encontrados nos arquivos da Inquisição Portuguesa, denuncias e depoimentos relativos a presença de feiticeiros e sacerdotes oriundos do Reino de Ndongo (antigo reino onde hoje é atual Angola) e do Reino do Kongo, atuando na Capitania da Bahia.

Registrado nesses arquivos, se encontra muitos feiticeiros e sacerdotes, como; o angolano Domingos Umbata, ex-cativo de um capitão de Porto Seguro, Bahia, que atuava como Kimbanda; os angolanos Manoel e João, escravos do Convento dos Capuchinos da Piedade, Salvador, Bahia; a angolana Luiza Pinta, alforriada, ex-escrava de Manuel Lopes de Barros em Sabará, Minas Gerais; o angolano Caetano que atuava como Kimbanda em Mariana, Minas Gerais; o angolano Damião, no Engenho de Camuratuba, aldeia de Jacoqua em Paraíba; o congolense Domingos, Engenho de Camuratuba, aldeia de Jacoqua em Paraíba; a angolana Barbara, Ipojuca, Engenho Coité em Pernambuco; o angolense Antonio, escravo de Luis Barbosa Lagares, de Paropeba em Minas Gerais;  a angolense Domingas, parteira e adivinhadora, em Nossa Senhora da Conceição dos Raposos, Sabará, Minas Gerais; o angolense Gonçalo, ex-escravo do Arraial de São Sebastião, em Nossa Senhora do Sumidouro, Minas Gerais; o angolense Antonio Angola de Lavras em Minas Gerais; o angolense Roque e Brígida, casada, em Itapecerica na Vila de Nossa Senhora Piedade de Pitangui em Minas Gerais; o angolense Francisco, escravo de Manoel Bernardes de Cristo, morador na Vila de São João Del Rei em Minas Gerais; o benguelense Francisco, de nação benguela, escravo de Ana Maria de Santa Rosa, residia na freguesia de Mariana, no Arraial de São Sebastião, em Minas Gerais; o angolense Domingos, escravo de Manoel Carvalho em Mariana, Minas Gerais; e, o congolense Antonio, morador de Mariana em Minas Gerais. 


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi! 

O KALUNDU NO BRASIL (Parte I)




O Candomblé é uma religião afro-brasileira, ou seja, é uma religião brasileira de matriz africana. Tem seu inicio na terra de todos os santos, cultuando e idolatrando as divindades, conhecidos na África Nagô, assim como no Brasil e outros países como: “Orixás”. Mas não é somente os Orixás que são cultuados, existem principalmente, Divindades cultuadas anteriormente aos Orixás no Brasil, as Mahamba e Minkisi, ambas as divindades originariam das terras hoje denominadas de Angola e Congo.

No século XVII existiu em Salvador uma Irmandade na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos do Pelourinho, cujo nome é; Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo, fundada pelos negros de origem angolense. Provavelmente os negros de origem congolense, moçambicano e outros, também contribuíram. Nessa Irmandade, era cultuada, nos altares laterais das Igrejas, Nossa Senhora da Boa Morte, assim como varias outras Irmandades em Salvador.

Muitas negras africanas alforriadas (livres), grande parte Nagô, originaria do Reino de Kétu, assumiram esse culto, provavelmente no final do século XVIII. Mas, depois de um determinado tempo, o transferiu para a Igreja da Barroquinha.

A Igreja da Barroquinha desde o ano 1764 pertencia a Irmandade de Nosso Senhor dos Martírios, fundada pelos negros alforriados (livres), conhecidos como Jêje. Essas mulheres Kétu, se uniram no ramo feminino da Irmandade dos Martírios, composto por mulheres africanas Jêje, essas, esposas e parentes dos africanos negros de origem Jêje. Uniram com o propósito de se fortalecerem em irmandade, no bairro negro da Barroquinha, e com o intuito de cultuarem Nossa Senhora da Boa Morte.

Essas mulheres de origem Kétu e Jêje em sua maioria nessa Irmandade, que não era igual a muitas outras que existia em Salvador, cultuavam os Orisá, camuflados, no culto católico a morte e assunção da Virgem Maria. Desta forma cultuavam e adoravam os Orisá sem a perseguição da policia ou da Igreja.

O primeiro Candomblé a se originar, foi na Bahia, Salvador. Provavelmente no ano de 1830, no século XIX, as mulheres Kétu e Jêje, fundaram em um terreno, a primeira “Casa de Candomblé”, atrás da Igreja da Barroquinha, cujo nome desta “Casa Religiosa” era conhecido como: Iyá Omi Ase Aira Intilé. Mas por vários motivos, percorreu vários bairros de Salvador, onde se instalou por definitivo, no bairro Vasco da Gama. Popularmente essa “Casa de Candomblé” é conhecida como “Casa Branca do Engenho Velho”, mas seu nome, após ter se instalado neste bairro, recebeu o nome Ilê Ase Iya Nassô Oká.  

Segundo o antropólogo Renato Silveira, antes da existência do Candomblé da Barroquinha, já existia outras organizações de culto a divindades africanas, essas de origem Bantu. Mas tendo no Candomblé da Barroquinha a associação de vários elementos litúrgicos de varias etnias, principalmente dos Nagô e dos Jêje, servindo o Candomblé da Barroquinha como modelo a todos os Candomblés, independente das etnias. 

As outras etnias que optaram servirem do modelo do Candomblé da Barroquinha, apenas fizeram um pequeno e importante ajuste, não podiam cultuar as mesmas Divindades que os Kétu e Jêje, e, muito menos cantar os mesmo cânticos deles. O motivo era obvio, pois suas Divindades era diferentes as dos Nagô e dos Jêje. Cada etnia, carregava consigo uma lingua própria, cânticos próprios e principalmente Divindades próprias, cujo nome delas, hoje cultuadas nos Candomblés de Nação Angola é Mahamba ou Akixi, cujo singular é Hamba pro plural Mahamba e Mukixi pro plural Akixi. Já no caso dos Candomblés de Nação Kongo, cultuam os Minkisi, cujo singular é Nkisi.

Mas não podemos esquecer que, com o decorrer das décadas, algumas casas de Candomblé de nação Angola e de nação Kongo, seus dirigentes, submeteram em novas obrigações religiosas a suas Divindades, como no caso do Sacerdote do Bate Folha que tinha seu Candomblé de nação Kongo, após tomar suas obrigações com uma Sacerdotisa do Candomblé de nação Angola, Mametu Twenda dya Nzambi, mais conhecida como Maria Neném, passou a cultuar em sua “Casa Religiosa” Divindades de origem angolense, e seu Candomblé passou a ser conhecido como Candomblé de nação Kongo-Angola, classificando a sua nação de origem e a de herança.

Voltando as outras organizações religiosas, precisamente no século XVII, existente anterior ao Candomblé da Barroquinha, formado pelos povos de origem Bantu, denominado como Kalundu (Calundu) Este o primeiro sistema “Religioso” altamente bem organizado no Brasil pelos negros de origem Bantu. 

Segundo o antropólogo Renato Silveira, as noticias sobre os cultos religiosos dos africanos no Brasil, é datado desde o século XVII. O Kalundu não tinha templos próprios como o Candomblé na atualidade. Tinham um calendário de festas anuais, e suas festas eram publicas bem organizadas pelos adeptos em residências de pessoas importantes ou em casas destinadas a outras ocupações religiosas ou não.

O Kalundu era freqüentado por um numero grande de fieis, tanto negros quanto brancos vindos de vários arraiais da vizinhança. O Kalundu tinha adeptos iniciados em diversas funções. Existiam três tipos de sacerdócio, “Calunduzeiro (a)”, “Curandeiro (a)” e “Adivinho (a)”, onde podia um único Sacerdote ou Sacerdotisa exercer esses três tipos de sacerdócio, como foi o caso da Luiza Pinta, cuja comprovação foi encontrada nas documentações da época, pesquisado pelos antropólogos.

O Sacerdote ou Sacerdotisa do Kalundu prestavam atendimentos particulares à população, assim aumentando sua própria renda, se tornando financeiramente independente com essas prestações de serviços a população, que o próprio Estado Colonial não sustentava.

Segundo Renato Silveira (2005), o estudo sobre as primeiras comunidades religiosas de origem africana em terras brasileiras, como no caso do Kalundu (Calundu), foi alvo de interesse, de estudos, de muitos historiadores e antropólogos. Onde, aproximadamente por volta de vinte anos, uma grande massa de informações, convencionou chamar o Kalundu de “Calundu Colonial”, justamente por ser de épocas ainda coloniais.

Essa massa de informações passou a ser revelada pelos historiadores e antropólogos brasileiros, esses, que investigaram os arquivos públicos e da Santa Inquisição. Nos arquivos deparam com novos dados e interpretações sobre o Kalundu. Então, as cenas historiográficas passaram a ser preenchidas, por pessoas (Sacerdotes e adeptos) desse misterioso e desconhecido por muitos candomblecistas e umbandistas, um culto de origem africana, propriamente de origem Bantu.

“Figuras como o congolês Domingos Umbata, flagrado em 1646 pelos visitadores da Inquisição na capitania de Ilhéus; a angolana Branca, ativa na cidade baiana de Rio Real nos primeiríssimos anos do século XVIII; outra angolana, Luzia Pinta, muito bem sucedida na freguesia de Sabará, nas Minas Gerais, entre 1720 e 1740; a courana Josefa Maria ou Josefa Courá com sua “dança de Tunda”, estabelecida em 1747 no arraial de Paracatu, Minas Gerais; o daomeano Sebastião, estabelecido em 1785 na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano; e enfim Joaquim Baptista, ogan (uma espécie de líder de terreiro) do “culto ao deus Vodum”, no Accu de Brotas, freguesia periférica da cidade da Bahia, em 1829. A esta lista poderia ser acrescentada uma significativa aquarela de Zacharias Wagener, artista que viveu no Pernambuco holandês de 1634 a 1641, representando uma festa de africanos e trazendo preciosas informações visuais sobre a variedade e a disposição dos atores, figurinos e instrumentos musicais” (Silveira, 2005).

Os Sacerdotes do Kalundu, que podiam exercer três tipos de sacerdócio, como foi o caso da angolana Luiza Pinta, que era Calunduzeira, Curandira e Adivinha na cidade Sabará do Estado de Minas Gerais, foi significativo para que os historiadores e antropólogos descobrissem que “além de oficiantes religiosos, sabiam preparar tisanas, cataplasmas e ungüentos que aliviavam os males corriqueiros dos habitantes da colônia...” (Silveira, 2005).

Além dessas habilidades e dom divino exercido pelos Sacerdotes do Kalundu, “eram capazes de curar doenças graves como tuberculose, a varíola e a lepra...” (Silveira, 2005), época que essas graves doenças levavam suas vitimas ao óbito. 

Segundo Renato Silveira (2005), os Sacerdotes do Kalundu usavam os recursos da farmacopéia tradicional, tendo participações em meados do século XIX, no combate as epidemias que atormentava a Bahia.

Os Kalundu eram prestativos, compunha uma belíssima paisagem para a sociedade, seja ela alta ou baixa, bastava qualquer tipo de doenças se adquiridas por membros de uma família, para que os Sacerdotes do Kalundu fosse consultados, pois são tão habilidosos na profissão de curandeiros, que não curava somente tuberculose, varíola ou lepra, mas também curava distúrbios mentais ou espirituais, usando tratamentos tradicionais, cominados e um bastante complexo, que respondiam a uma necessidade de diversas classes sociais, principalmente as carentes.

A intenção dos Sacerdotes do Kalundu era fazer justamente como era na África, tornar o culto do Kalundu, instituições publicam e reconhecidas pela população, onde podemos compreender os motivos de terem um culto aberto a publico de todas as classes sociais, pois não queriam ser vistos como seitas secretas, coisa que não são e nunca foram. “Assim, desde o século XVII os calundus funcionavam normalmente no Brasil, pelo menos ate que seus lideres se tornassem muito visíveis, angariam clientela branca ou se envolvessem em revoltas” (Silveira, 2005).

Nos arquivos encontrados pelos historiadores e antropólogos, descobriram noticias de curandeiros e adivinhadores recebidos em monastérios, nos meios a sociedade branca e rica, onde eram bem pagos por suas atividades prestadas, e até mesmo agraciados pelo rei de Portugal.  Eram, ate comum alguns brancos da época, pagarem caro por escravas ou escravos, especialmente mulheres curandeiras, como ocorrido na Bahia.

“Na cidade de Rio Real, no interior baiano, o Santo Oficio identificou o caso de um senhor empresário que pagou caro por pelo menos duas escravas curandeiras afamadas, montando com elas uma espécie de clinica onde se praticavam vários tipos de cura, e dividindo com elas todos os lucros” (Silveira, 2005).

Acredita-se que os Sacerdotes e adeptos do Kalundu, nos séculos XVII, XVII ou XIX tivessem sido perseguidos por suas praticas religiosas. Caso isso fosse realidade, pelo menos se desse em grande massa, os Sacerdotes jamais teriam se estabelecidos estavelmente, tanto religiosamente quanto financeiramente, como no caso da angolana Luiza Pinta, que manteve, tanto suas praticas religiosas, o Kalundu, quanto sua vida particular, durante vinte anos na cidade de Sabará no estado de Minas Gerais (Silveira, 2005).

A eficiência e competência dos negros africanos, especialmente os povos Bantu, sem diminuir os Nagô e os Jêje, por quem tenho maior prestigio, são comentadas em todas as tribos em terras bantu, por serem excelentes curandeiros e feiticeiros na pratica de proclamar a boa magia da saúde de quem os procuram, livrando-os de muitas doenças e aflições causadas por espíritos.

“A eficiência dos saberes africanos era publica e notória, mas na pratica sua existência questionava o monopólio da cura atribuído a Igreja e mesmo a medicina oficial” (Silveira, 2005).

A eficiência dos negros africanos, no continente africano, durante a colonização dos europeus, jamais foi vista, e sim condenadas como coisas diabólicas. Pois, quando um homem branco descobre uma nova erva medicinal (curativas), os colonizadores logo dizem ser um cientista, mas quando é o negro africano, descobre a mesma erva medicinal, a Igreja Colonial logo exclama ser um feiticeiro.

Segundo Renato Silveira (2005), os integrantes do Kalundu neste lado do Atlântico, calunduzeiros de diversas origens africanas, como os de regiões do Sul da África, de Angola, do Kongo, de Moçambique (estes de origem Bantu) e os de origem Daomeana, hoje atual Republica do Benin, localizado na África Ocidental (estes de origem Jêje), acabaram aderindo o catolicismo.

O sincretismo com os cultos religiosos dos ameríndios se deu com os povos de origem Bantu. 

O culto religioso dos negros no Brasil, anterior ao Candomblé, denominado Kalundu pelos negros de origem Bantu, hoje se encontra em extinção, por conta da migração de religiões como relatou o antropólogo Renato Silveira, e como ainda precisa-se de muitos estudos sobre o Kalundu, deduz que a Umbanda é originaria do Kalundu.

De acordo com Renato Silveira (2005), os Kalundu, como o da angolana Luiza Pinta, chegaram a misturar tradições africana, católicas e indígenas no mesmo ritual, originando-se o que conhecemos hoje como Umbanda.

“Alguns, como o de Luzia Pinta, misturaram tradições africanas, católicas e indígenas no mesmo ritual, dando origem ao que se convencionou chamar umbanda” (Silveira, 2005).

Parecem existir duas vias do Kalundu ainda existente na atualidade deste século (século XXI), pelo menos resíduos de sua existencia; uma é a Umbanda que, supostamente originou-se da mistura do Kalundu de Luzia Pinta, que fez introdução ou deixaram ser introduzido por alguns de seus seguidores, por ela iniciados, os cultos católicos e indígenas; quanto à outra via da existência da Kalundu, se encontra em casas religiosas denominadas como “Candomblé de Caboclo”. Mas existe quem contradiz essas hipóteses.

Os negros de origem Bantu, Kêtu, Jêje ou outro, passaram a melhor se unirem, com propósitos concretos, de serem reconhecidos como seres humanos, e, poder cultuar seus deuses livremente, sem a pressão contra suas praticas religiosas, principalmente fazer de suas religiões reconhecível por todo o estado da Bahia e pelos quatros cantos do Brasil. Assim conseguiram, reorganizaram o culto na cidade, exibiu como instituição urbana legitima, onde adquiriu a oficialização com religião, mas foi em Salvador, que esse objetivo se tornou realizado com sucesso, no bairro da Barroquinha.


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi! 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

UM POUCO DA HISTÓRIA DO BRASIL COLONIAL




A escravidão na África era uma pratica bastante antiga, jamais se pode dizer que os europeus, precisamente os portugueses, holandeses ou franceses serem os culpados de “introduzir”, iniciar a pratica do comercio de escravos na África, sendo essa datada praticada, provavelmente, desde o Antigo Egito. No ano 1492 ou 1484, os portugueses, em viagem, ao desembarcarem na África, encontraram a existência do comercio de escravos. Em África-Bantu o próprio Rei (Soba), em algumas aldeias, tanto no Reino do Kongo, no Reino do Ndongo, no Reino de Matamba, no Reino do Lunda, no Reino Loango. No Reino Tio, no Reino Kakongo, no Reino Soyo, no Reino Kisama, no Reino Gangela e outros, tinham vários escravos, capturados de guerras travadas com reinos rivais.

Segundo Jan Vansina, o mais antigo manuscrito existente sobre os povos do Reino do Kongo é datada de 1492, mas com as escritas posteriores que tratam apenas do Reino do Kongo, que se tornaram mais freqüentes no período do ano de 1500, freqüentes como as datas 1587, 1624 etc., podem dar informações sobre o período anterior a 1483, (UNESCO, Historia Geral da África, 2010: 623). Mas Dennett (1906), relata em umas de suas obras, que: “Diego Cão, por decreto real datado 14 abril de 1484, foi contratado para estender as explorações na costa da África, e ele descobriu o Rio Kongo em 1484”.

Mesmo que as datas tenham a diferença de 12 anos de diferença, a afirmação de Dennett revela a existência de outro manuscrito, mais antigo que o revelado por Vansina, retratando a chegada dos portugueses.

O nome do Rio Kongo, por onde Diogo Cão passou, é o Rio Zaire, nome original, sem influência portuguesa, sendo que ao chegarem ao Kongo, os congolenses já falava Zairi ou Zaidi, designando o próprio nome do Rio.

Dennett (1906) nos revela que o nome nativo para este rio Zairi ou Zaidi, foi chamado como sendo o caminho do espírito, ou personalidade de amor e conhecimento. Não se deve dizer que o rio era chamado por esse nome porque os missionários do passado veio desse jeito e ensinar os nativos certos ofícios.

Dannett (1906), a primeira expedição chegou a San Salvador (conhecido anterior a chegado dos portugueses como Mbaza Kongo) em 1491.

Com a chegada dos portugueses em terras Kongo, o cotidiano dos congolenses, principalmente em outras terras, como no Ndongo seria mudado, tanto na forma lingüística como em uma grande porcentagem da cultura e modo de vida. Mas, o mais difícil para estes povos foi a vida cruel que presenciaram com a chegada dos portugueses, mesmo que tenha sido direcionado no principio aos grupos de escravos existentes em cada reino.

Segundo Jan Vansina, “um escravo era um servidor que produzia obedecendo as diretrizes de seu amo e aumentava em uma unidade a força de trabalho agrícola, até então basicamente composta de mulheres” (UNESCO, Historia Geral da África IV, África do século XII ao século XVI, pg, 362).

Os primeiros escravos foram certamente prisioneiros de guerra. Quando os portugueses chegaram, inverteu todo o sentido do fluxo dos escravos, desviando-os para as Américas, tendo esses escravos a pior forma de vida escrava em terras totalmente desconhecidas. Comercio que chegou a ser humilhante, anti-humano, a pior pratica de formas escrava existente.

No século XV os portugueses desenvolveram a produção de açúcar de cana nos territórios de Açores, Madeira, Cabo Verde, São Tomé, e, na ultima década nas Canárias, onde as suas plantações, mesmo que todas essas ilhas passaram por um período de decadência, serviram como modelo para o Brasil (Lépine, pg.13).

Segundo Claude Lépine, os primeiros escravos teriam sido introduzidos na America em 1502 em virtude de um Edito Real. Mas, no Brasil os primeiros escravos africanos a chegarem, para trabalharem nas plantações de cana de açúcar, na Vila de São Vicente no ano de 1538, e, tendo mais tarde no ano de 1550, chegado o primeiro desembarque de escravos na Bahia.  No período de 1530 o numero de escravos arrancados da África, da pior forma humana, em transportes inadequados e sem um sustento alimentar, já passava de 2000 por ano, chegando se intensificar com o passar dos anos. 

No século XV ao inicio do século XIX, chegaram escravos de diversas regiões da África negra, chegaram principalmente príncipes, princesas, sacerdotes e sacerdotisas de diversas etnias, onde aqui se uniram, em objetividade de uma única realização, a liberdade.

Chegaram povos do Kongo, de Angola, do Daomé, da Nigéria, de Moçambique, de Benguela e etc.

Os negros que chegaram ao Brasil, de uma forma ou outra conseguiram sobreviver, por mais doloroso e desumano suas condições de vida escrava, sofrendo, acorrentados em troncos de baixo de chibatas e diversos castigos, jamais deixaram desaparecer a fé. A fé nos seus Minkisi, Mahamba, Orixás, Voduns e principalmente na sua ancestralidade.

Os traficantes de escravos e principalmente os donos de escravos no Brasil, acreditaram que a ausência da terra ancestral de cada negro escravo em suas senzalas, degradaria o ser ou causaria corrosão na energia ancestral de cada uma, causando-se a morte, quebrando o elo divino com seus desuses na África, pois, no novo mundo nada poderiam fazer de prece aos seus deuses, tendo somente o serviço escravo que exerciam durante toda a parte do dia, sem descanso, e, quando trancafiados nas senzalas eram periodicamente vigiados.

Nas senzalas, o que restava para os negros era o silencio, se voltando aos seus deuses, para  manter o poder, a força vital de cada um, pois a energia vital que habita em cada ser, vem de uma Divindade. Assim, para resistirem mais tempo, sobreviver, os africanos deram manutenção, mesmo distante e de mãos amarradas, com seus Deuses e ancestrais. Podendo conseguir uma vida prolongada, mesmo que fossem intensos os serviços escravos, sem alimentos e sem banhos, onde os índios que foram escravizados, que aqui viviam, mesmo com fé em seus ancestrais e Tupã, não resistiram o serviço escravo, pois o porte corporal dos índios era diferente aos dos africanos.

Segundo Claude Lépine,
“se a descoberta da America e do índio havia suscitado a representação do bom selvagem, o mesmo não se deu com a África cuja imagem sempre foi negativa, com a exceção dos relatos dos primeiros capitães. O preconceito racial contra os negros já aparece nos escritos árabes do século X; quanto aos cristãos, eles tinham os negros – os Camitas – por descendentes de Cam, filho de Noé que havia visto a nudez do próprio pai e cuja descendência fora amaldiçoada para sempre, ficando da cor do Demônio e condenada a escravidão”.

Os negros vieram sem nada, deixaram tudo que de material pra trás, pois não lhes foram permitidos. Não lhes permitiram trazer nem mesmo uma pedra, uma conta de miçanga (misanga), pois, os europeus desejavam fazer com que os negros renascessem em uma nova terra, sendo batizados e catequizados nos ritos da Igreja Colonial.

Os escravos de origem bantu que chegaram ao Brasil e conseguiram fugir para dentro das matas, distante dos serviços escravos e do campo de visão dos senhores de escravos , presenciaram uma crença muito similar a de suas terras natais no sistema religioso e político com os índios.

Cada nação indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados, porem, todas as tribos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados. Desta mesma maneira se comportava os povos bantu, a força emanada da natureza e o espírito dos ancestrais, eram respeitados e reverenciados dando segurando no continuo elo e fonte da prosperidade do individuo e de sua aldeia.

Os índios acreditam que tudo tem vida, as árvores, as águas, as pedras, as montanhas e etc., onde revela uma crença na vida após a morte, e na presença de um Deus criador de tudo que existe na terra e no espaço, com o nome de Tupã, assim como Nzambi Mpungu é para os povos Bantu.

Para os índios a escravidão foi muito pesada, chegando muitos a morrer muito cedo, e, aos que conseguiam fugir restava-lhes se embrenhar por floresta adentro, a procura de sua liberdade e preservar a própria vida, isso se membros de suas aldeias natais ainda existisse. 

Os índios, assim como os negros foram condenados como feiticeiros e primitivos. Tendo os negros taxados como seres de pactos com demônios, pois os colonizadores e missionários preconceituosos condenavam os negros por suas cores opostas a deles, crendo serem servos demoníacos, principalmente por praticarem uma crença religiosa desconhecida pelos brancos.

Mas para os colonizadores concluírem suas missões, que, “Diego Cão, por decreto real datado 14 abril de 1484, foi contratado para estender as explorações na costa da África, descobrindo o Kongo em 1484”, muitos padres passaram a batizar e catequizar negros na África antes de virem pro Brasil, e, outra turma de missionários que se encontravam no Brasil, catequizando diversas tribos indígenas. 

No Reino do Kongo, no Reino do Ndongo,assim como no Reino de Matamba e outros reinos, existiram reis e rainhas que se deixaram ser batizados para assegurar seus e reinados e seus povos, como foi o caso da histórica e nobríssima Rainha Nzinga Mbadi, conhecida Ana de Souza após se deixar ser batizada, Kimpa Vita (1684-1706) que foi batizada como Beatriz, líder de um movimento emblemático de reivindicação da legitimidade das crenças tradicionais, nascida entre os nobres do vale no Mbidzi na província de Soyo.

Segundo Claude Lépine, relata que; devem ter vindo pro Brasil uns 3.600.000 negros da África. “Mas Herbert Klein, em trabalhos mais recentes, calcula que uns 4.009.400” (Lépine, pg. 13).

Alternadamente, chegaram ao Brasil negros sudaneses e negros bantu, em um processo de quatro grandes ciclos, como: o século XVI, o século XVII, o século XVIII e o inicio do século XIX.

Esses quatros ciclos são editados por Claude Lépine da seguinte ordem:

- “O ciclo da Guiné, na segunda metade do século XVI traz negros de pontos da África situados ao norte do Equador. Uolofs, mandingas, songhais, mossis, haussas, peuls.

- sucede-lhe no século XVII o ciclo Congo e de Angola. Com efeito, em 1637 os holandeses tomam o forte de São Jorge da Mina e afastam os portugueses do Golfo do Benin; chegam portanto ao Brasil naquela época sobretudo negros bantos. Mas os holandeses concedem aos traficantes baianos o privilegio de comerciar em quatro portos da região, mediante o pagamento de uma taxa de 10% sobre o valor das mercadorias. Na segunda metade do século XVII, pois um grande numero de escravos aja e daomeanos (os jeje) são enviados para o Brasil, as Antilhas e Sul dos Estados Unidos.

-no século XVIII o trafico se volta para o Golfo do Benin: é o ciclo da Mina. A partir de 1698 a descoberta do ouro em Minas Gerais, Goiás, e Mato Grosso, intensifica o trafico na Costa da Mina pois os europeus acreditam que os minas são melhores para a mineração. Por outro lado uma epidemia de varíola em Angola em 1687 contribui para afastar os traficantes. O ciclo da Mina traz numerosos escravos daomeanos presos pelos iorubás; entram também muitos sudaneses, oyó, ewe, fon, etc.

-no século XIX, temos novamente um ciclo do Congo e Angola. Pelo trato de Viena, em 1815, a Inglaterra com efeito obteve a proibição do trafico ao norte do Equador e os traficantes brasileiros e portugueses se voltam para as costas do sul e até da contra-costa, em Moçambique. Predominam novamente, pois, os negros bantos. Mas os baianos, burlando a proibição, continuam a praticar um trafico clandestino nas costas do reino do Benin. O ciclo portanto se desdobra e temos no período de 1770 a 1850 um ciclo do Benin, paralelo ao ciclo do Congo e Angola. Chegam neste período a Bahia, em, 1808 importantes levas de escravos hauçás e muçulmanos, em 1830 iorubas presos nas guerras dos Fulani contra o império de Oyó; egba, egbado, ijesa, ketu, aparecem depois, em 1839” (pg. 14).  


Um grande abraço aos amigos!
Tata Kitalehoxi!